Vicente de Santo António

Zona de identificação

tipo de entidade

Pessoa

Forma autorizada do nome

Vicente de Santo António

Forma(s) paralela(s) de nome

  • Beato Vicente

Forma normalizada do nome de acordo com outras regras

Outra(s) forma(s) do nome

identificadores para entidades coletivas

área de descrição

datas de existência

1590 - 1642

história

Vicente de Santo António é o grande herói de Albufeira. Nascido no castelo de Albufeira no ano de 1590, encontramo-lo em Lisboa aos 22 anos quando acaba, ao que tudo indica, de se formar em medicina, tal como o pai, António Simões, que ficara em Albufeira à espera que o seu único filho o sucedesse no ofício.
É um homem bem-parecido e com capacidades naturais de liderança, toca vários instrumentos, canta e compõe, desenha com mestria, é desenvolto com as línguas estrangeiras e ainda se diverte na arte da esgrima. Porém, o pai morre-lhe nesta data. Não se sabe se seria esta situação o que despoletou uma inflexão de vontade no espírito deste homem e o conduziu à vida religiosa. Na verdade, Vicente, cujo nome significa “vencedor do mal”, prossegue os estudos, desta feita no ramo de Teologia, no Convento da Graça, da Ordem de Santo Agostinho, e só em 1617, já com 27 anos, é ordenado padre. Provavelmente, a mãe, Catarina Pereira, não foi à ordenação do filho, que vira partir do castelo de Albufeira, onde moravam, quando era um rapazinho de 14 anos. A mãe faleceu-lhe no ano seguinte, contando ele com 28 anos. Se a perda do pai o conduziu a uma profunda introspecção acerca da vida, também não será alheia a esta situação o seu profundo amor ao saber e ao conhecimento. Volvido um ano, em 1618, Vicente tomou a nau que o levou para terras da América Central, após cinco meses de mar. Não subsistiram documentos da sua permanência no México, na altura sob a Coroa de Castela, mas sabe-se que ali ingressa como noviciado, a 21 de Setembro de 1621, num convento da Ordem de Santo Agostinho. Uma das intenções desta Ordem era a constituição de milícias, com o propósito de lutarem no terreno pela expansão da fé. Não é de crer que o nosso Vicente estivesse interessado no regresso à sua esgrima, que o fazia na juventude por mera diversão, mas o mesmo não se pode dizer da sua elevação espiritual e do seu forte propósito evangelizador. Assim, aos 31 anos adopta o nome de Frei Vicente de Santo António e opta por, juntamente com outros religiosos daquela Ordem, meter-se novamente ao mar com destino à Ásia, onde a Ordem detinha também as suas pretensões missionárias. Aos primeiros meses de 1622 chega às Filipinas, tendo-se instalado no Convento da Ordem de Santo Agostinho em Manila, cidade que o vê professar a sua fé numa cerimónia religiosa ocorrida a 22 de Setembro desse ano. Logo depois recolhe-se num anexo da Igreja de S. Nicolau de Toletinoque a Ordem possuía e por aí ficou cerca de um ano a estudar a língua japonesa. Era sua intenção chegar ao Japão e expandir a fé de Jesus Cristo. Só no ano em que Frei Vicente chegou ao Japão morreram 132 cristãos, sobretudo franciscanos. E como tal, viu-se obrigado a mudar de traje e de nome, fazendo-se passar por caixeiro ambulante pelas ruas de Nagasáqui para poder entrar nas casas e introduzir-se nas famílias, com o objectivo de converter os gentios, assim como consolar e encorajar os cristãos perseguidos. A 20 de Junho de 1623, embarca com os companheiros para a localidade japonesa de Coxi. Nove anos depois perde a vida à mão dos algozes, após várias torturas, como as barbáries cometidas com águas sulfurosas, desmembramentos, humilhações em nome da fé com vista à renúncia da mesma e a imolação. Fugindo a essas perseguições, Frei Vicente de Santo António refugiou-se nas montanhas, onde permaneceu durante 6 anos, nunca deixando de dar catequese aos nativos. Em finais de 1629, Frei Vicente acaba por ser descoberto e é aprisionado na ilha de Firaxima e posteriormente é transferido para Nagasáqui, juntamente com outros religiosos europeus. Em 2 de Setembro de 1632, foi-lhe lida a seguinte mensagem: “Manda o Imperador que no lugar já preparado sejam os seis queimados vivos, se não renegarem antes a lei que pregam, se o fizerem, porém, ficam livres e serão favorecidos e honrados pelo Imperador”. Mas Frei Vicente recusa a apostasia (renúncia da fé), juntando o seu destino ao de muitos outros mártires do Japão, acatando o martírio como dádiva de Deus, a 3 de Setembro de 1632. Resistiu admiravelmente a todos os tormentos e acabou queimado pelas chamas de uma fogueira nas imediações de Nagasáqui. Nesse mesmo ano, era aberto em Macau o processo de beatificação do missionário de Albufeira, o qual só seria favoravelmente despachado quase dois séculos e meio depois. Foi beatificado na Igreja Católica pelo Papa Pio IX a 7 de Julho de 1867 e tornou-se padroeiro de Albufeira em 1965, que nunca mais deixou de lhe prestar culto no dia do aniversário do seu martírio, a 3 de Setembro. Por acção do pároco de Albufeira, Cónego José Rosa Simão, são hoje celebradas as festas de São Vicente. Quer uma parte da sua vida, quer as descrições da sua permanência no Oriente estão patentes nas Cartas que Frei Vicente deixou para a História.
Fonte: Município de Albufeira, Luísa Monteiro

Locais

Albufeira, Nagasáqui

status legal

funções, ocupações e atividades

Mandatos/Fontes de autoridade

Estruturas internas/genealogia

contexto geral

Área de relacionamento

Área de pontos de acesso

Ocupações

Zona do controlo

Identificador do registo de autoridade

VSA

Identificador da instituição

MABF

Regras ou convenções utilizadas

Estatuto

Nível de detalhe

Datas de criação, revisão ou eliminação

Línguas e escritas

Script(s)

Fontes

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criado por: Sónia Negrão
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